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sábado, 18 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
MANUEL ANTÓNIO PINA - PRÉMIO CAMÕES 2011

Osvaldo Silvestre: “Magnifica notícia para quem ama a Literatura sem fronteiras”
"A atribuição do Prémio Camões a Manuel António Pina é a melhor notícia possível num panorama nacional de notícias péssimas. É, sobretudo, uma magnífica notícia para quem ama a Literatura sem fronteiras nem preconceitos.
Pina não é só um poeta notável – em rigor, o único poeta contemporâneo convictamente pós-pessoano, quer dizer, cuja poesia não é concebível fora da metafísica poética legada por Fernando Pessoa – como é também o maior autor da nossa literatura infantil e juvenil, uma zona da expressão literária que sempre praticou com a maior liberdade e sem grandes contemplações por aquilo que as crianças são ou deveriam ser.
Num sentido profundo, Pina é o inventor de uma literatura infantil portuguesa inspirada na lição maior de Lewis Carroll e Milne: a lição do nonsense, do nominalismo, da recusa em saber o que seja exactamente a infância.
O primeiro [livro infantil]de Pina, “O País das Pessoas de Pernas para o Ar”, antecede alguns meses o seu primeiro livro de versos, e esta continuidade agrada-me como leitor para o qual a paixão literária não conhece compartimentos ou prioridades.
Se somarmos a isto a arte maior do cronista e ainda a do conversador-conferencista de recursos inesgotáveis, creio que dificilmente o Prémio Camões poderia ter sido melhor entregue.
Os meus parabéns à clarividência do júri."
Osvaldo Silvestre, ensaísta com obra publicada sobre Manuel António Pina
in «Público», 12-05-2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
III - SESSÃO FEP
«A Literatura Infantil» - O papel da Literatura Infantil na promoção da leitura e da escrita: do Oral ao Escrito Apresentação de estratégias diversificadas: Materialidade do Livro - A Flor Vai Pescar Num Bote: uma dualidade pictórica
“Ler doce Ler” (Livro de José Jorge Letria e trabalho de um grupo de alunos)
Lengalenga "Um, dois, três, quatro"
Estória -"Vestuário"
"Um amor de familia"; "O Sol"; "A Carochinha"
O Avental das estórias
O Baú das palavras
Slides "A Cigarra e a Formiga", "O Capuchinho Vermelho", "Um. dois, três, quatro", "O Sol"
"O Casamento da Franga" vs "O Casamento da Gata"
Actividade prática - "Um Bicho muito Estranho"
Avaliação da Sessão
Momento de Poesia
domingo, 3 de abril de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
"Um Adeus Português" - Alexandre O'Neill

Um Adeus Português
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti
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